Mais da metade dos índios yanomamis de Roraima, na fronteira com a Venezuela, corre o risco de perder a visão por causa da oncocercose ocular. A doença já causou cegueira em 500 mil africanos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e atinge 65,37% dos yanomamis, segundo estudo do oftalmologista Cláudio do Carmo Chaves, professor da Universidade do Amazonas. A oncocercose é uma doença infecciosa crônica causada por um verme (Onchocerca volvulus) transmitido por mosquitos, dos quais o mais comum é o borrachudo. Causa irritações na pele e quando atinge os olhos pode provocar cegueira. As conclusões do estudo são resultado de dois anos de pesquisa feita por Chaves entre os índios. Ele estudou a doença entre 410 yanomamis (7% da população total) distribuídos em 16 aldeias. Exames microscópicos demonstraram que 74,63% dos índios tinham a pele infectada pela doença. A oncocercose ocular, o caso mais grave da doença, atinge mais de 65% dos yanomamis, que, segundo o médico, poderão perder a visão nos próximos 10 anos. Segundo ele, a característica nômade do povo yanomami dificulta a localização dos índios para o tratamento da doença (FSP).