A distribuição das 400 mil toneladas de alimentos pelo governo para populações carentes está paralisada por causa da burocracia na aprovação da retirada dos produtos dos armazéns. O Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA), agora absorvido pelo Programa Comunidade Solidária, exigia a aprovação prévia de um plano de distribuição por duas entidades não-governamentais e a prefeitura local, através da assinatura de um convênio. Desde a edição da Medida Provisória no. 619, em setembro último, que liberou os estoques públicos para o Programa de Distribuição Emergencial de Alimentos, apenas 36 mil toneladas chegaram às famílias do Vale do Jequitinhonha (MG), única região a receber alimentos desde o início de dezembro. A execução da primeira fase foi possível porque o governo liberou R$1,2 milhão para transporte e empacotamento dos produtos, e a entrega está sendo feita pelo Exército. Técnicos do governo ligados ao programa criticam a burocracia da distribuição. Desde a sua criação, o programa de distribuição das 400 mil toneladas-- 200 mil toneladas de milho, 100 mil toneladas de trigo e 100 mil toneladas de arroz-- foi criticado pela demorada implantação. Apesar do caráter emergencial, a distribuição só começou no Natal, sendo que a discussão do programa iniciou em maio (JB).