O Equador decretou estado de emergência e mobilização nacional e anunciou que batalhas generalizadas estavam em curso ontem à noite entre tropas equatorianas e peruanas numa região de fronteira entre os dois países. Trata-se de uma área de 78 km na cordilheira de El Condor que é permanente fonte de conflitos. Segundo o governo equatoriano, tropas do Peru atacaram pelo menos seis postos de fronteira de seu país. Helicópteros peruanos teriam bombardeado o destacamento de Soldado Monge, sem causar baixas. O mesmo destacamento teria sido alvo de fogo de morteiros. Já o governo peruano disse que apenas estava repelindo infiltrações de soldados equatorianos em seu território. O conflito fronteiriço entre o Peru e o Equador, que dura há mais de um século e já foi responsável por uma guerra em 1941, agravou-se drasticamente nos últimos dias. Na noite do último dia 26, tropas dos dois países entraram em choque sem que nenhuma das partes admita ter sofrido baixas. Segundo o governo do Peru, um helicóptero equatoriano teria bombardeado um posto de fronteira peruano. O Equador negou o ataque e afirmou, por seu lado, que repeliria a incursão de uma patrulha peruana no seu território. Em Lima, o presidente Alberto Fujimori passou o dia reunido com o alto comando militar e teria depois viajado para a fronteira, para orientar pessoalmente o deslocamento das tropas, reforçadas com blindados leves. Um comunicado do governo peruano denunciou "a atitude beligerante e agressiva do Equador, que contradiz sua pretensa posição pacifista e perturba a paz e o ordenamento jurídico internacional". Em cadeia nacional de rádio e televisão, o presidente equatoriano, Sixto Durán-Ballén, disse que assinou o decreto da mobilização e do estado de emergência "em momentos cruciais para a pátria", garantindo que as Forças Armadas atuarão com firmeza. Os países fiadores do Protocolo do Rio de Janeiro, que desde 1942 fiscalizam as escaramuças de fronteira entre Peru e Equador, reuniram-se ontem em Brasília (DF) para procurar uma saída pacífica para o novo conflito na região. A` noite, os representantes de Brasil, Chile, Argentina e EUA encontravam ainda dificuldades para conseguir rapidamente uma solução consensual. Os embaixadores do Equador e do Peru não atenderam à convocação feita pelos países fiadores reunidos no Itamaraty. Preferiram mandar notas oficiais, nas quais onde se acusam de invasão territorial e desrespeito ao Protocolo do Rio. Embora a solução de 1942 tenha dado ao Peru o controle da região em litígio, o Equador nega-se a aceitar a decisão. O Itamaraty, que tradicionalmente sedia a reunião dos países que compõem o Protocolo do Rio, considera a atual crise na região de fronteira a mais séria dos últimos 14 anos (O Globo).