A folha de pagamentos do governo tem praticamente um aposentado para cada servidor ativo. De 1,519 milhão de contracheques emitidos pela União, 723 mil (47%) são de funcionários que não têm mais atividade no serviço público. O ministro da Previdência Social, Reinhold Stephanes, está convencido de que a permanência desta proporção entre servidores ativos e inativos provocará um "colapso" na administração pública. A tendência é aumentar o número de aposentados. Na administração direta da União, existem 586 mil servidores em atividade para 533 mil inativos. Destes, 330 mil são aposentados e outros 203 mil são pensionistas. A proporção se repete nas Forças Armadas e nos Poderes Legislativo e Judiciário. Há cerca de 150 mil militares ativos, o mesmo número da reserva somada aos pensionistas. No Judiciário, de 85 contracheques, 35 mil de inativos. No Legislativo, existem cerca de cinco mil aposentados e pensionistas para um total de 15 mil servidores. No serviço público federal, há ainda 700 mil servidores que trabalham em empresas estatais. A aposentadoria destes funcionários é paga pela Previdência Social, como os trabalhadores do setor privado, ou pelos fundos de pensão. Neste caso, não há ônus direto para o Tesouro Nacional. Vantagens asseguradas aos servidores também pesam na folha de pagamentos. O funcionário público tem uma promoção de 20% do salário, em média, no momento da aposentadoria. Tem direito ainda a incorporar vantagens e receber todos os aumentos do cargo que ocupava. Na prática, tem remuneração maior que a do servidor que trabalha na mesma função. Os ministérios da Previdência e da Administração e Reforma do Estado estão afinados na defesa de uma mudança radical nas regras para concessão de aposentadorias. Sabe-se que o reflexo na redução dos gastos, porém, só surgirá em longo prazo (FSP).