A indústria paulista voltou a superar o nível de atividade verificado em 1986, ano do "boom" econômico do Plano Cruzado. O INA (Indicador do Nível de Atividade) cresceu 7,8% no acumulado de 94 sobre 93, atingindo recorde histórico. Sobre 86, o aumento é de 1,2% e sobre 89, recorde anterior, de 0,7%. Os dados foram divulgados ontem pelo Departamento de Economia (Decon) da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). As vendas reais da indústria aumentaram 14,6% no acumulado do ano passado sobre 93. A recuperação ocorreu principalmente após a implantação do Plano Real, no segundo semestre. Na comparação dos últimos seis meses de 94 com os seis primeiros, houve aumento de 17,2% no INA e de 25,5% nas vendas reais. A renda também teve aumento significativo no segundo semestre, com o fim do chamado Imposto inflacionário" e aumento do salário real. Os ganhos de produtividade e terceirização das funções pior remuneradas também contribuíram para o aumento de 9,2% nos salários reais médios pagos pela indústria no ano passado frente a 93. O nível de atividade industrial de dezembro mostra um fim de ano atípico, aquecido pelas encomendas de última hora do comércio: a alta foi de 25,7% na comparação com dezembro de 93. As vendas reais da indústria cresceram 42,4% no período. Desconsiderando-se fatores sazonais, a alta do INA em dezembro foi de 4,9% sobre novembro. Segundo a FIESP, o Plano Real trouxe aumento do emprego e das horas trabalhadas na indústria, insuficiente, no entanto, para compensar a queda verificada no início de 94. Assim, no acumulado do ano passado houve retração de 1,3% no total de horas trabalhadas na produção frente a 93. Isso apesar de o INA ter crescido 0,9% no segundo semestre de 94 na comparação com o primeiro. O total de pessoal ocupado pela indústria paulista também foi reduzido em 94 frente a 93, em 2,3% (FSP).