Pelo menos um ensaio de resposta para os riscos da globalização da economia foi oferecido ontem em Davos, durante a abertura do Fórum Econômico Mundial: globalizar também a democracia, por uma revolução nas estruturas das Nações Unidas. A proposta foi apresentada pela chamada Comissão sobre Governo Global, uma espécie de organização não- governamental (ONG) criada há dois anos e cujo relatório ("Nossa Vizinhança Global") foi lançado ao se abrir o encontro. Uma das propostas de reforma da Organização das Nações Unidas (ONU) visa, exatamente, criar um Conselho de Segurança Econômica, a exemplo do já existente Conselho de Segurança, que funciona apenas no plano político e eventualmente militar. O Conselho seria "um foro de alto nível para coordenar as políticas das instituições de Bretton Woods e fornecer um meio ambiente mais estável para o desenvolvimento sustentado", disse o premiê sueco Ingvar Carlsson, um dos dois co-presidentes da Comissão, ao apresentar o documento. As instituições de Bretton Woods, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BIRD), perderam crescentemente poder de coordenar políticas econômicas. A proposta inclui aumentar de 15 para 23 o número de membros do Conselho de Segurança, no qual reside o verdadeiro poder da ONU. Cinco dos oito novos membros seriam permanentes-- dois dos países industrializados, um da Ásia, um da África e outro da América Latina. A proposta de democratização global foi apresentada por Carlsson como a alternativa para uma de duas hipóteses negativas: "Ou permitimos que uma ou duas superpotências decidam pelo resto do mundo, ou simplesmente podemos deslizar para a anarquia". A proposta foi encampada pelo secretário-geral da ONU, Boutros-Boutros Ghali, no discurso com que inaugurou o Fórum. Ghali apontou a democratização das estruturas globais como uma necessidade ante uma constatação hoje quase consensual: "Está claro que, em uma sociedade que se está tornando global, a margem de manobra para os responsáveis por decisões nacionais fica diminuída". Ele reconheceu que as empresas transnacionais "são hoje um repositório básico de poder em escala planetária" e sugeriu que os homens de negócios passem a fazer parte da democratização global. A reunião anual do Fórum Econômico Mundial na cidade suíça de Davos, foi aberta também com um convite do presidente dos EUA, Bill Clinton, à comunidade empresarial para que se una aos dirigentes políticos e colabore na construção de um mundo mais justo e melhor. Clinton insistiu na necessidade de reformulação das instituições econômicas existentes e declarou que os EUA estão conscientes de que a sua vida econômico- financeira depende do desenvolvimento do resto do mundo (FSP) (O ESP).