O ministro da Previdência Social, Reinhold Stephanes, condenou ontem a idéia do ministro do Planejamento, José Serra, de dar valores diferenciados para o salário-mínimo, segundo a capacidade de pagamento de cada estado. Stephanes considera que a estadualização do mínimo seria de difícil operação. Segundo ele, se houvesse diferença salarial entre os estados brasileiros, o trabalhador poderia entrar com pedido de aposentadoria onde pudesse garantir um benefício maior, gerando distorções no sistema. Empresários e sindicalistas também condenaram a idéia de estadualização do salário-mínimo. Segundo eles, um mesmo estado apresenta desigualdades econômicas. Além disso, a diferenciação estimularia a migração interna, com os trabalhadores procurando emprego nos estados que fixarem valor maior para o salário-mínimo. "É um retrocesso. A unificação nacional foi uma bandeira histórica do movimento sindical", criticou o representante da CUT em Brasília, Jaci Afonso. Já o vice-presidente da FIESP, Carlos Eduardo Uchoa Fagundes, considerou a possibilidade uma injustiça para o trabalhador, porque o custo de vida não registra variações significativas entre as regiões. O presidente Fernando Henrique Cardoso reiterou ontem que vai vetar o salário-mínimo de R$100,00, e abandonou a idéia de incorporar o abono de R$15,00 ao mínimo. Descartou também a manutenção do abono até maio, quando os atuais R$70,00 serão reajustados com base no IPC-r acumulado de julho a abril, que deve atingir 28%. No dia 1o. de maio, data tradicional para a data-base do mínimo, o novo valor deverá ser de R$89,00, aproximadamente. Segundo o porta-voz da Presidência, Sérgio Amaral, aumentar o salário-mínimo sem resolver o problema da Previdência é demagogia. A incorporação do abono ao mínimo até maio custaria à Previdência cerca de R$1 bilhão (O Globo) (JC).