A lição mais importante nas turmas de primeiro e segundo graus durante o ano letivo de 1995 é a conectividade. Em escolas particulares e públicas do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Nordeste, o quadro-negro está perdendo espaço para o computador ligado em rede, e o professor não é mais o todo-poderoso da sala de aula. Com um computador e um modem, o mestre ganha um novo papel na turma. Em vez de ser um mero repassador de informações, ele vai ensinar aos alunos como encontrar os caminhos para buscar informações em grades redes eletrônicas, como a Internet, ou de menor porte, também conhecidas como BBS (Bulletin Board Systems ou sistemas de quadro de avisos). Em 1995, a Trend, empresa especializada em informática educacional, vai usar a Internet para discutir a História do Brasil. Crianças brasileiras estarão conectadas a alunos portugueses para trocar opiniões sobre a nossa Independência. Os gajos que acessam a Internet também estão na mira da Escola do Futuro, um laboratório da Universidade de São Paulo (USP) que investiga novas tecnologias para educação. De acordo com Frederic Litto, coordenador científico da Escola do Futuro, o Projeto Portugal envolve escolas públicas e vai estimular debates sobre diferenças da língua portuguesa, sem esquecer o capítulo Independência do Brasil. O Colégio Santo Inácio, no Rio, onde os professores desenvolvem atividades de diversas disciplinas com computador desde 1991, já inclui a Internet no seu currículo. Segundo o responsável pela área de informática do colégio, Abílio Aranha, o domínio de redes eletrônicas é um instrumento fundamental em sala de aula. Através de um convênio com a Rede Nacional de Pesquisas (RNP), o Santo Inácio vai garantir aos alunos acesso à Internet. Vivemos hoje a era do descartável. Antes da invenção da imprensa, o saber era privilégio de poucas pessoas que, por isso, concentravam poder, conta Aranha. "No início do século XX, as universidades tornaram-se importantes porque concentravam o saber. Agora, com a quantidade de informação produzida diariamente, é preciso estar sempre atualizado. Quem sabe onde encontrar os dados detém o poder", completa. Para os professores, 1995 reserva ainda boas perspectivas. A Faculdade São Judas Tadeu, também no Rio, inaugura em março um curso de graduação em tecnologia educacional. O curso apresenta um currículo específico aprovado pelo Conselho Federal de Educação com duração de quatro anos, e todos os alunos inscritos vão aprender a usar a Internet. O tecnólogo em comunicação é o educador da escola do futuro, que terá
84601 uma visão mais clara e criativa das necessidades dos alunos e do próprio
84601 professor. É um profissional capaz de adequar o ensino à Era da
84601 Informação, quando utiliza o computador como ferramenta de uma educação
84601 baseada em textos e imagens, na multimídia, explica o diretor do São Judas, Marcos Santana (Informática-JB).