A POSIÇÃO DO BRASIL NO DESENVOLVIMENTO SOCIAL

A posição que o Brasil levará para a Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Social, de seis a 12 de março, em Copenhague, não será de confrontação com os países desenvolvidos. Isso porque, como disse o próprio presidente Fernando Henrique Cardoso, "o Brasil tem aqui o Norte e o Sul". O Brasil reconhece, com isso, que não adianta cobrar uma postura dos desenvolvidos sem realizar internamente maior equalização de oportunidades sociais, comenta José Augusto Lindgren Alves, chefe da Divisão das Nações Unidas do Itamaraty e secretário executivo do comitê nacional da conferência. Mesmo assim, o relatório brasileiro, que será apresentado na cúpula, deverá enfatizar a necessidade de maior cooperação internacional, redução do protecionismo, que gera desemprego, e viabilização de recursos para o desenvolvimento social através de aumento dos financiamentos do Banco Mundial (BIRD) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O documento final da cúpula será um programa de ação de 70 páginas que está sendo preparado desde o dia 16, em Nova Iorque, numa reunião em que o representante do presidente da República é o embaixador Lindenberg Sette. A cúpula do desenvolvimento social é a primeira, depois da realizada no Rio de Janeiro, em 1992, que reunirá chefes de Estado e de governo de mais de 180 países. Os três temas centrais em discussão relacionam-se com alívio e redução da pobreza, expansão do emprego produtivo e integração social, sobretudo da população menos favorecida (GM).