O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou ontem que os governos federal e estadual vão renovar o convênio anticriminalidade vigente no Rio de Janeiro desde novembro último. De acordo com o presidente, o convênio que criou a Operação Rio terá sua duração prorrogada até o dia três de março-- sexta-feira após o Carnaval. Esta será a segunda prorrogação do convênio. No início do mês, FHC e o governador Marcello Alencar (PSDB) assinaram a primeira prorrogação, cujo prazo expira no próximo dia 31. O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, coordenador da Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, criticou a renovação do convênio no caso de serem mantidas as ações em favelas. Em entrevista, Betinho disse que o Exército devia restringir sua atuação a um trabalho de reformulação das polícias Civil e Militar. "A polícia do Estado do Rio está totalmente carcomida. A grande tarefa do Exército seria ajudar o Rio a ter uma outra polícia", disse Betinho, para quem a ação militar nos morros foi necessária e "vista como tranquilizadora pela população". Betinho defende o fim das ocupações militares em favelas. "O Exército não pode exercer a função de polícia de modo permanente. Acho que chegou a hora de parar com as incursões. Do ponto de vista de combate ao tráfico, o resultado fica muito aquém", disse Betinho. O governador Marcello Alencar afirmou que nada vai ser mudado na renovação do convênio. "A única cláusula a ser incluída é a que consta o novo prazo de validade", disse Alencar (FSP) (JB) (O Globo).