O presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu ontem criar um fundo para investimentos sociais no Rio de Janeiro-- Fundo Rio-- com recursos da venda de imóveis desocupados da União existentes no estado. A decisão foi anunciada em discurso na Fábrica de Esperança, um projeto de um centro de ensino profissional e atendimento social localizado em frente à favela de Acari, na zona norte da cidade. A criação do fundo foi proposta momentos antes, também em discurso, pelo antropólogo Rubens César Fernandes, presidente do Movimento Viva Rio. No discurso que fez para cerca de 150 convidados da Vinde (Visão Nacional de Evangelização), responsável pela Fábrica de Esperança, FHC pediu a união dos partidos políticos para "construir um novo país" e "mudar a condição de vida do povo brasileiro". De acordo com o presidente, em momentos como esses os partidos deixam de ser importantes, para voltarem a ser quando vier o momento de uma nova eleição. "Ou nós resgatamos a miséria desse povo ou teremos falhado na nossa missão", disse FHC, acrescentando que esse resgate é trabalho para toda uma geração. O presidente também disse que seu governo dará prioridade a projetos concretos e financiáveis em três regiões do país: Rio de Janeiro, Nordeste e sul do Rio Grande do Sul. Segundo Rubens César, o prefeito do Rio, César Maia (PMDB), se propôs a comprar a antiga sede da extinta LBA, no centro da cidade, para compor a primeira cota do fundo. Ele calculou o valor do prédio entre R$5 milhões e R$10 milhões. Rubens César pediu também as transferências do Banco Central e da EMBRATUR para o Rio, além da construção de um complexo portuário em Sepetiba (zona oeste). FHC disse que é favorável à criação de um "pólo de desenvolvimento econômico" no Rio. O coordenador da Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, gostou do anúncio da criação do Fundo Rio. Segundo ele, não vão faltar idéias para a destinação dos novos recursos: "Primeiro temos que recebê-los, para depois, então, podermos avaliar o que pode ser feito. A grande novidade é que a criação do fundo foi anunciada agora, num momento em que há uma predisposição inédita de se superar picuinhas e obstáculos". Ele acrescentou que aposta num gerenciamento do fundo que, com o tempo, possa multiplicar seus recursos: "Deve funcionar como uma alavanca, financiando projetos de forma a que os recursos gerem novos recursos, para que não se acabem" (FSP) (JB) (O Globo).