NEGROS QUEREM LEI DE REPARAÇÃO

Lideranças do movimento negro brasileiro se reúnem hoje no Rio de Janeiro para discutir estratégias da luta para que a União indenize os descendentes de africanos pelo trabalho escravo. Um dos coordenadores do MPR (Movimento pelas Reparações), o jornalista Fernando Conceição, anunciou o lançamento de uma campanha nacional de coleta de um milhão de assinaturas para a elaboração de um projeto de lei pelas reparações. Se houver o número de assinaturas exigido, o MPR pretende enviar o projeto ao Congresso Nacional até novembro-- quando se completam 300 anos do assassinato do líder negro Zumbi dos Palmares. Caso um projeto como esse venha a ser aprovado, o Estado brasileiro ficaria obrigado a reparar financeiramente os descendentes dos escravos (cerca de 60 milhões de negros e mestiços). O MPR calcula, segundo critérios não-divulgados, que o valor do trabalho escravo no Brasil representou algo em torno de US$6,1 trilhões-- cabendo US$102 mil a cada descendente. "Não estamos levando em conta a dívida moral que a sociedade brasileira tem para com os negros. Queremos apenas falar a linguagem do capital, do dinheiro", disse Conceição (FSP).