O Cegraf (Centro Gráfico do Senado Federal) funciona com apenas 40% da sua capacidade operacional. A sua capacidade ociosa (não-utilizada) de 60% poderia ser usada para atender pedidos do setor privado, mas ela só trabalha para o Congresso Nacional. A realização de serviços para terceiros renderia até R$80 milhões por ano, tornando a gráfica auto- suficiente. Mantida com recursos do Tesouro Nacional, a gráfica conta um patrimônio, um quadro de funcionários e uma capacidade operacional muito acima das suas necessidades. Conhecida nacionalmente pela impressão gratuita de propaganda eleitoral para parlamentares, a gráfica tem um orçamento de R$79,3 milhões para 1995, dinheiro suficiente para construir 20 mil casas populares. O gasto com servidores em 95 ficará em R$56,9 milhões. O custo médio de um funcionário ao mês será de R$3,5 mil, valor correspondente a 50 salários-mínimos. Além dos 991 servidores que trabalham efetivamente na gráfica, mais 366 estão lotados nos gabinetes dos senadores. Este desvio de função é resquício do "trem da alegria" promovido em 1984 pelo então presidente da Casa, Moacir Dalla. A gráfica contava na época com 718 funcionários. Numa só canetada fora efetivados, sem concurso público, mais 800 servidores. Em consequ"ência do inchaço do quadro de pessoal e do aperfeiçoamento tecnológico, não houve contratações nos últimos 10 anos. "E não haverá nos próximos 10 anos", afirma o diretor-executivo do Cegraf, Agaciel Maia. A impressão do material de divulgação dos trabalhos de deputados e senadores é feita a um custo simbólico. A cota anual de cada senador é de R$4,8 mil, mas o custo real do material impresso é 10 vezes maior. A despesa total com o material de divulgação dos senadores, incluindo transcrições de discursos, jornais, revistas, livros de poesia, cadernos escolares e calendários fica em R$4,7 milhões ao ano. Parte dos senadores aproveita a sua cota para divulgar a sua atividade parlamentar, mas ocorrem muitos desvios de finalidade no material impresso (FSP).