O número 2 do Mapa do Mercado de Trabalho no Brasil, divulgado ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em contribuição à campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, mostra que de 1981 a 1990 o país registrou forte deterioração do mercado de trabalho formal, com queda do percentual de empregos urbanos no setor privado, acompanhada de queda do rendimento. No período, o trabalho urbano passou de 70,7% para 73,9% do mercado total do país. A participação do emprego privado caiu de 56,2% para 52,3%. O salário médio desses empregados caiu de 5,1 para 4,3 salários-mínimos. Em parte, a queda do trabalho particular foi compensada por um aumento de 11,3% para 12,6% do emprego público. Este teve seu rendimento médio aumentado de 5,7 para 5,9 salários-mínimos. Essa compensação, tende a deixar de existir a partir de 1991, com a tendência de enxugamento da máquina pública, inclusive através das privatizações. A tendência que permanece crescente é a do trabalho autônomo, que passou a absorver 20,1% da população ativa em 90, contra 18,9% em 81. Ao longo da década, o rendimento do trabalho autônomo superou o do emprego particular, passando de 4,2 para 4,5 salários-mínimos de 81 para 90. Entre os indicadores da crescente informalização da economia nos anos 80 está o percentual de trabalhadores do setor privado que contribuíam para a Previdência Social, que caiu de 44,9% para 40,3%. Ao mesmo tempo, os que trabalham sem pagar a contribuição passou de 11,3% para 12%. No conjunto das pessoas ocupadas em atividades urbanas em todo o país, o percentual de contribuintes da Previdência caiu de 67,5% em 81 para 62,8% em 90. Essa queda percentual significa menos 2,2 milhões de trabalhadores descontando para a Previdência. Os dados do Mapa do Mercado de Trabalho no. 2 confirmam também o aumento da desigualdade de renda na década de 80: a participação na renda dos 50% mais pobres caiu de 14,1% para 11,9%, enquanto a do 1% mais rico subiu de 12,6% para 14,2% (FSP) (O Globo).