Cada deputado federal vai custar, em média, R$24,2 mil por mês ao governo com a aprovação dos reajustes decidida pela Câmara. O cálculo inclui, além do 15 salários a que cada parlamentar terá direito, salários extras e de assessores, gastos com comunicações, passagens, impressão de material gráfico e auxílio-moradia. Não estão incluídos encargos sociais indiretos (cerca de R$11 milhões anuais pagos ao Instituto de Previdência do Congresso-- IPC), assinaturas de publicações e assistência médica. Somente para sustentar os gastos básicos dos 513 deputados, o governo vai precisar dispor de cerca de R$12,4 milhões por mês e R$149 milhões por ano. O acordo salarial estabelecido entre o governo e o Congresso e ratificado pela Câmara cria um novo parâmetro para medir o valor da representação dos brasileiros nas mais altas esferas do Executivo e do Legislativo. Pelos salários aprovados, um deputado vale 30.303 trabalhadores que ganham um salário-mínimo (R$70,00) por mês. O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo encaminhou ontem ação popular ao Tribunal Regional Federal (TRF) contra o aumento da remuneração do presidente Fernando Henrique Cardoso, do vice Marco Maciel e também dos deputados, senadores e ministros de Estado e do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação, com pedido de liminar, também solicita a suspensão do pagamento previsto de 14o. e 15o. salários. "Esse aumento é uma coisa imoral. Num momento de sacrifício, quando toda a população tem seus salários congelados, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário deveriam ser os primeiros a dar o exemplo de contenção de gastos", afirmou o presidente da entidade, Paulo Pereira (O ESP).