A balança comercial brasileira começará a dar sinais de equilíbrio a partir de março. Até lá, deverá apresentar déficit decrescente e, a partir de então, a perspectiva é de superávit. Na avaliação de técnicos do Ministério da Fazenda, o déficit verificado em dezembro-- estimado em cerca de US$1 bilhão-- começará a cair gradativamente, juntamente com o retorno das exportações e a volta das importações aos níveis normais. Um assessor explicou que um dos fatores que induzirão ao equilíbrio e até mesmo à volta do superávit será o vencimento dos adiantamentos dos contratos de câmbio, a maioria em março. No fim de 1994, o governo encurtou os prazos de financiamento de 180 dias para 90 dias e, em casos excepcionais, 30 dias, porque as empresas usavam os recursos, até o último momento, como capital de giro. O fim do compulsório sobre as operações de antecipação das exportações (ACC) também já estará trazendo resultados gradativamente, com efeitos positivos sobre a balança de março. As importações de bens de capital, matérias-primas e automóveis foram as principais responsáveis pelo déficit comercial de dezembro. No caso dos veículos, as vendas no mercado interno somaram 32.279 unidades no mês passado, computando-se as importações realizadas pelas montadoras e pelas importadoras autorizadas. Considerando-se um valor FOB de US$16 mil por veículo e o fato de que os automóveis importados estão sendo vendidos assim que desembarcam no país, o volume de importações em dezembro alcançou cerca de US$516 milhões-- um sexto do total importado em 94 (O Globo).