Os brasileiros vivem quase uma geração a menos-- 13 anos-- do que os japoneses e perdem 26 anos de vida sadia, enquanto na Austrália se perdem apenas oito. A constatação do economista Ib Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), se baseia em indicadores de diferentes instituições, que colocam o Brasil entre as piores estatísticas mundiais na área de saúde. Enquanto os japoneses têm uma expectativa de vida de 79 anos, os suíços e os suecos, de 78, e os espanhóis, os italianos e os franceses, de 77, os brasileiros amargam, em média, meros 66 anos de vida. E uma vida, em grande parte dos caos, muito pouco saudável, agravada pela deficiência do atendimento. Dados da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (Abes) mostram que o país tem 500 mil casos novos de malária por ano, surtos recorrentes de dengue, oito milhões de pessoas com doença de Chagas e cerca de 11,4 milhões de pessoas contaminadas por moléstias endêmicas. Ib Teixeira destaca que 46 milhões de pessoas-- um terço da população-- não têm acesso a consultas ambulatoriais e 24 milhões ficam sem cobertura para internações hospitalares. Nem poderiam: o déficit de leitos hospitalares é de 230 mil, de auxiliares de enfermagem, 86,2 mil, e de enfermeiras de nível superior, 36 mil. Comparado com o de outros países da América do Sul, o quadro de saúde no Brasil é ainda mais dramático. O país tem um dos maiores índices de mortalidade infantil: 58 mortes para mil nascidos vivos. O índice é mais alto do que o da Colômbia (23), do Chile (17), da Argentina (25), do Equador (47), do Paraguai (35) e do Peru (53). A esperança de vida dos brasileiros ganha apenas de países como Etiópia e Índia, onde a expectativa é de 41,9 e 57,9 anos, respectivamente. Segundo o economista da FGV, o motivo para tanta "aflição" é consenso-- a falta de recursos. Ele compara os investimentos feitos pelo Brasil na área de saúde com os de países do Primeiro Mundo. "Em 1990, o governo dos EUA gastou US$600 bilhões no atendimento à saúde, quase o dobro do PIB do Brasil na época", exemplifica. "Nesse ano, o gasto federal com saúde no Brasil chegou a apenas US$9,9 bilhões. De lá para cá, as verbas federais para a área cresceram como rabo de cavalo: US$8,2 bilhões em 1991 e US$6,9 bilhões em 1992" (JB).