Os governadores que receberam heranças malditas de seus antecessores-- dívidas e excesso de funcionários-- estão dando exemplo de moralidade no primeiro mês de suas administrações. O governador do Pará, Almir Gabriel, anunciou ontem a demissão de 12 mil funcionários públicos contratados sem concurso público, como "temporários", por seu antecessores. Com uma dívida de R$2 bilhões, e o funcionalismo em greve há dois meses, Almir Gabriel descobriu que 36 mil servidores foram contratados de forma irregular, e a demissão foi a única saída para equilibrar as contas do estado. No Amazonas, o governador Amazonino Mendes exonerou 4,3 mil funcionários, contratados ilegalmente pelo ex-governador Gilberto Mestrinho em plena campanha eleitoral. Em vários estados, como São Paulo, Rio Grande do Norte, Espírito Santo e Paraná, os governadores estão aguardando auditagens nas contas de seus antecessores para promoverem cortes na folha de pagamentos (JB).