CONGRESSO TENTA MUDAR SUA IMAGEM

O Congresso Nacional que encerra seus trabalhos no próximo dia 31 vai entrar para a história por dois feitos: o processo de impeachment do ex- presidente Fernando Collor de Mello e a CPI do Orçamento, que cassou mandatos de parlamentares por corrupção. Ainda assim, a imagem dos políticos junto à opinião pública continua péssima: falta de quórum e de liderança, projetos voltados para interesses pessoais e o fracasso da revisão constitucional são os temas mais lembrados quando se fala no Parlamento brasileiro. Além disso, deputados e senadores são acusados de ser gazeteiros e fisiológicos. A maioria dos parlamentares admite que a última legislatura foi um período muito difícil, principalmente em função de um governo ter sido desmontado sob acusação de corrupção. A avaliação geral é de que o futuro Congresso, aproveitando a força política do governo Fernando Henrique Cardoso, poderá, no entanto, ser marcado por um período de revitalização, capaz de apagar a imagem negativa. É no que acredita o senador Pedro Simon (PMDB-RS): "O Brasil entra numa nova fase com o presidente Fernando Henrique. Nós vamos ter um novo Brasil. Entramos na fase da ética e da moralidade. Como vamos pensar em transformações na Constituição sem pensar na presença do Congresso? O Congresso tem que estar preparado para responder e se adaptar. Nas outras épocas o Congresso estava na frente. Quem berrava, quem gritava, era o Congresso. Nesta nova fase, ele tem que voltar a estar presente, se possível na vanguarda". Para se adaptar a estes novos tempos, um movimento se formou no Senado Federal tentando melhorar a imagem do Congresso. Intitulado "Senado Novo", surgiu em resposta às denúncias de fisiologismo e corporativismo na Casa, com a proposta de manter quórum constante, permitindo as votações importantes e moralizando o comportamento dos parlamentares. Uma das novidades do próximo Congresso será o fortalecimento dos partidos de esquerda, que aumentaram suas bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado. Além disso, a última eleição já pôs em prática, informalmente, o voto distrital, com a eleição de muitos prefeitos, ex- governadores e representantes de categorias específicas (O Globo).