Os senadores que usaram a Gráfica do Senado estão pagando pelos serviços para tentar fugir de uma cassação pela Justiça Eleitoral. De agosto do ano passado até agora, a Gráfica recebeu cerca de R$200 mil. Os senadores Lourival Baptista (PFL-SE), Alexandre Costa (PFL-MA), Francisco Rollemberg (PFL-SE), Nelson Carneiro (PMDB-RJ) e Carlos Patrocínio (PFL-TO) anteciparam o pagamento para coincidir com a fase de instrução dos processos. Com o pagamento, o parlamentar tenta descaracterizar o uso eleitoral da Gráfica. O senador Humberto Lucena (PMDB-PB) foi cassado por ter distribuído 130 mil calendários impressos na Gráfica do Senado. Em um texto-modelo, os senadores afirmam que querem "evitar maiores desgastes" e pedem a "emissão de fatura para pagamento imediato de todos os custos, sem qualquer subsídio, referente a todos os serviços utilizados. O senador Alexandre Costa disse que pagou R$39 mil há dois meses pela impressão de cadernos. "Na dúvida se o legal é ilegal, eu paguei", disse Costa. O senador Nelson Carneiro pagou cerca de R$13 mil pelos calendários. "Com a notícia de que era ilegal eu procurei saber quanto foi o prejuízo que dei à União e paguei", afirmou. Segundo o presidente de um Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que não quis se identificar, os processos vão prosseguir porque os parlamentares só fizeram o pagamento após a denúncia. Para ele, o pagamento com a ação em andamento é confissão de culpa (FSP).