A área militar não deverá exercer pressão sobre a equipe econômica do governo em relação ao atraso do reajuste do funcionalismo neste mês, que será pago em janeiro sem a reposição do IPC-r devida na data-base. Em contrapartida, as Forças Armadas começam a negociar com o presidente Fernando Henrique Cardoso a criação de um estatuto diferenciado para os servidores militares, com base em uma emenda constitucional que acaba com o estatuto único para os funcionários do Executivo. "Historicamente, o militar sempre foi um servidor diferenciado", afirmou, ao tomar posse ontem, o novo chefe do Estado-Maior do Exército, general Délio Monteiro. Mais importante que a isonomia é ter um estatuto próprio. Um taifeiro da
84469 Marinha não pode ser comparado a um servente de outro órgão, afirmou o ministro da Marinha, almirante Mauro César Rodrigues Pereira. Segundo ele, um novo estatuto para os militares permitiria corrigir salarialmente algumas distorções às quais os servidores das Forças Armadas estão sujeitos. Objeto de um grande esforço do antigo ministro-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, almirante Arnaldo Leite Pereira, o programa de isonomia entre os ganhos dos servidores dos Três Poderes permitiu um aumento real aos militares nos meses de setembro a dezembro e foi engavetado nesta semana pelo governo federal (GM).