ENTRADA DE CAPITAL ESTRANGEIRO SUPEROU SAÍDA EM 94

O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Thomás Tosta de Sá, divulgou ontem dados coletados no mercado que indicam entrada de US$20,532 bilhões de capitais estrangeiros no país em 1994 ante uma saída de US$16,778 bilhões-- portanto, o saldo positivo foi de US$3,754 bilhões. Com o objetivo de tranquIlizar o mercado, após a crise cambial do México, Tosta de Sá afirmou que esses US$3,754 bilhões continuam aplicados, sobretudo nas bolsas de valores, e revelam o interesse dos investidores externos no Brasil. Do total de US$1,811 bilhão que entrou no país em dezembro último pelo Anexo IV do Banco Central, 33,1% eram originários das Américas do Norte e Central, 21% da Europa, 11,3% da América do Sul e 1,5% da Ásia e Oceania. O diretor da Área Internacional do BC, Gustavo Franco, afirmou que as saídas de capital do país de 1o. de dezembro até ontem soamaram US$1,5 bilhão. Para ele, esse montante é muito pequeno e tem relação direta com antecipações de importações em função das restrições anunciadas e que começam a vigorar no final deste mês. O Banco Central extinguIu ontem a cobrança do compulsório de 15% sobre as operações de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), instituída dia 20 de outubro dentro das medidas de arrocho ao crédito. De cada R$100 que os exportadores tomavam adiantados, R$15 ficavam depositados no BC, sem qualquer remuneração. O fim desse compulsório estimula as exportações e, por consequ"ência, a entrada de dólares. Como reação à medida, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou ontem com alta de 9,75%. Foi a maior valorização desde 19 de maio de 1994. A bolsa do Rio de Janeiro (BVRJ) fechou com alta de 7,8%. As bolsas também subiram na Argentina (10,34%) e no México (4,3%) (O ESP) (FSP).