Pelo menos um ramo industrial está insatisfeito com as normas do MERCOSUL: a indústria têxtil, segundo a qual elevado número de condições lesivas aos interesses brasileiros foi estabelecido, com amplas vantagens para a Argentina, o Uruguai e o Paraguai, os outros parceiros da união aduaneira posta em vigor a partir de 1o. de janeiro. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil, Luiz Américo Medeiros, denuncia que as negociações realizaram-se à revelia daquele setor empresarial, tradicional exportador de manufaturados e importador de máquinas, equipamentos, peças de reposição e de matérias-primas, permitindo que, aqueles três países incluíssem nas listas de exceções quase todo o universo têxtil, enquanto o Brasil discriminava apenas alguns produtos de lã. Segundo Medeiros, além disso, o Brasil aceitou a imposição de direitos específicos pela Argentina, em alguns casos extremamente elevados, somente contra a importação de têxteis e confecções, bem como a inclusão, nas listas de adequação, de confecções que por mais quatro anos não gozarão de insenção tarifária no comércio intra-regional. Somam-se a essas condições desvantajosas, segundo ele, a aceitação de uma tarifa externa comum (TEC) "que, ao mesmo tempo em que reduz ainda mais a proteção tarifária do setor, consagra a elevação, de zero para tarifas elevadas, para importação de matérias-primas como algodão (de 0 para 6%), lã (de 0 para 8%), acetado (de 0 para 16%) e linho (de 0 para 6%). Para agravar esse quadro de prejuízos na área tarifária, ressalta, "os negociadores brasileiros aceitaram a tese esdrúxula de tributar a importação de equipamentos não produzidos na região, e uma convergência tarifária, ao longo de cinco anos, período durante o qual o industrial pagará tarifa mais altas do que seus colegas argentinos para efetuar as importações necessárias à indispensável modernização de seu parque industrial" (JC).