ARIDA CONFIRMA POLÍTICA CAMBIAL

A crise do México, que provocou queda nas cotações das bolsas de valores brasileiras, não levará o Banco Central a alterar a política cambial. Este foi o recado que o presidente do Banco Central, Pérsio Arida, deu ontem para tranquilizar o mercado. Segundo ele, a queda que vem sendo registrada nas bolsas não é uma variável capaz de determinar alterações na política cambial, uma vez que não provocou mudanças na taxa de câmbio. "As bolsas caíram mas não cabe ao Banco Central sustentar ou derrubar cotações. No passado, as oscilações na bolsa preocupavam o BC. Agora, isto não será preocupação nossa", disse. Arida fez uma análise do programa econômico brasileiro para rechaçar suspeitas de que a crise mexicana poderá atingir o Brasil. Segundo ele, as reservas do país estão em níveis confortáveis. Além disso, disse que a inflação, após ultrapassar o limiar crítico dos seis meses, está em trajetória cadente, abaixo do que os analistas previam. Isso, ressaltou, é resultado da política monetária, fundamental do processo de estabilização econômica. O programa econômico só será completado, no seu entender, com a consolidação das reformas do Estado. Dos US$40 bilhões de reservas do país, cerca de US$15 bilhões-- 37,5% do total-- são de aplicações especulativas e, portanto, podem deixar o país no curto prazo (até um ano), dependendo da vontade dos investidores. Os cálculos são de analistas do mercado confirmados por técnicos do BC. Os efeitos da crise mexicana nas bolsas brasileiras fizeram o valor de mercado das ações negociadas no país reduzir-se em R$45,2 bilhões desde o dia 20 de dezembro último. As ações brasileiras que, naquele momento, valiam R$170 bilhões, hoje valem R$124,8 bilhões. Na carteira dos investidores estrangeiros, que somava US$18 bilhões, a desvalorização atingiu US$3,5 bilhões em 22 dias. Os números são do presidente da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ), Fernando Opitz. Ontem, as bolsas do Rio e de São Paulo subiram, respectivamente, 3,3% e 7%, após três dias de quedas acentuadas. O presidente Fernando Henrique Cardoso disse estar convicto de que a crise cambial mexicana não afetará a estabilidade econômica brasileira. Ele acha até que o exemplo serve de alerta para o novo Congresso Nacional apressar as reformas na Constituição (JB) (O Globo).