O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que quer acabar com a rapinagem que existe dentro e fora do governo. Ao discursar na posse do advogado-geral da União, Geraldo Quintão-- reconduzido ao cargo--, o presidente afirmou que pretende eliminar, definitivamente, as formas de conluio que lesam o patrimônio público. Quintão explicou que o presidente fez referência aos resultados da Comissão Especial de Investigação (CEI), que, na gestão Itamar Franco, descobriu corrupção em contratos de construtoras com o governo, entre outras irregularidades. "Num horizonte de quatro anos, gostaríamos de deixar essas questões organizadas e o Estado com capacidade de se defender da rapinagem que existe. A expressão é esta. Muitas vezes, esta rapinagem é feita dentro do próprio Estado, com conluios que existem para facilitar decisões que são lesivas ao patrimônio público. Que isto termine de uma vez por todas", disse FHC. Quintão disse que o seu cargo não pode ser exercido burocraticamente, até porque existem mais de 500 mil processos contra a União em todo o país, grande parte relativa a planos econômicos anteriores ao Real. A Advocacia Geral da União, que ainda precisa ser estruturada em carreiras, conta com cerca de 400 procuradores e assistentes jurídicos em todo o país (O Globo) (JB).