FALTA DE PROGRAMAS EMPERRA ADMINISTRAÇÃO FHC

Dez dias de caneta na mão e "Diário Oficial" disponível, posteriores a um período de quase 60 dias de transição pacífica, foram insuficientes para o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) iniciar a implantação de qualquer programa de governo. De 1o. de janeiro até a noite de ontem, o presidente assinou 104 decretos de nomeação, exoneração, transferência e outros tipos de movimentação de pessoal; editou uma medida provisória e dois decretos para reorganizar o governo e reeditou outras 10 MPs herdadas de Itamar Franco. Sem vetos e com vetos sancionou sete leis e vetou integralmente dois projetos. FHC ainda subscreveu três acordos internacionais, designou delegação para uma reunião sobre café e renovou 19 concessões de rádio e de televisão. Entre os políticos mais atentos ao "Diário Oficial", unanimente considerado um extraordinário instrumento de poder, a história dos primeiros 10 dias do governo FHC está produzindo uma pergunta comum: o que é que fez, nos quase três meses que separaram a eleição e a posse, a equipe de transição? O motivo para a pergunta também é comum: são conhecidas algumas intenções do governo, mas nenhum ministro conseguiu até agora anunciar sequer um programa setorial, menos ainda um projeto. Procurados nas semanas anteriores à posse, assessores de FHC e políticos da cúpula do PSDB e do PFL costumavam alegar que nenhuma medida do futuro governo era anunciada para que as relações do presidente Itamar Franco com o então presidente eleito Fernando Henrique não fossem prejudicadas. Empossado o governo, o que dizem agora é que cada ministro está "tomando pé" da situação de seu Ministério (O ESP).