Cerca de US$1,226 bilhão de capital estrangeiro já deixou o Brasil desde o início da crise do México, no dia 19 de dezembro último. A cifra corresponde a 10% do total de aplicações externas nas bolsas de valores. Grande parte desse dinheiro saiu para cobrir prejuízos de investidores estrangeiros no México. Ontem o dia foi de pânico nas bolsas de toda a América Latina. Em São Paulo, a Bolsa de Valores chegou a cair 12,2%, fechando em 9,8%, a maior queda desde o dia cinco de setembro, quando o ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero, deixou o governo Itamar Franco. No Rio de Janeiro, a queda foi de 7,1%; na Argentina, de 9,59%; e no Chile, de 3,64%. No México, a desvalorização foi 6,7%, a mais alta em sete anos. Desde o início da crise, a bolsa mexicana já contabiliza perdas de 76,9% em dólar e a Bovespa registra queda de 38,5% no mesmo período. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o diretor da Área Internacional do Banco Central, Gustavo Franco, minimizaram a queda das bolsas como resultado da crise mexicana. Malan classificou de "simplistas, ingênuas e apressadas" as comparações entre as situações do México e do Brasil. O ministro admitiu, porém, que a crise mexicana tem efeitos no país. O economista Francisco Lopes, indicado para a diretoria de pesquisas e estudos do BC, é o escolhido para traçar uma estratégia que evite que a política cambial brasileira resulte num fiasco como o ocorrido no México. "Crises como a do México se preparam com anos de antecedência", alertou Lopes. O ministro do Planejamento, José Serra, acha que os efeitos negativos da crise mexicana sobre as bolsas brasileiras são passageiros. Apesar da queda drástica das cotações, o ministro afirma que não existem motivos para preocupação, pois o Brasil tem uma economia muito mais sólida que o México. A credibilidade dos países latino-americanos e seus programas de estabilização foram colocados em xeque a partir da crise do México. Há uma intensa desconfiança dos fundos de investimento estrangeiros, que preferem não amargar mais perdas nas bolsas latino-americanas. Os títulos da dívida externa dos países da América Latina também estão em queda. Desde o início da crise mexicana, a Argentina é a maior perda, considerando os títulos mais negociados. O FRB argentino perdeu 32,15% de seu valor de face. O Discount Bond do México perdeu 29,06% e o C Bond brasileiro caiu 28,9%. As quedas foram provocadas por vendas maciças de fundos de investimentos de mercados emergentes. O peso mexicano voltou a se desvalorizar ontem, apesar da intervenção feita na véspera pelo FED, o banco central dos EUA (JB) (O ESP) (GM).