DIFERENÇAS REGIONAIS E CULTURAIS PREJUDICAM ESTABILIDADE

O Brasil que tenta estabilizar sua economia tem nas deferenças regionais e culturais um sutil inimigo do processo. Belém (PA) teve inflação de 4,15% em novembro; Porto Alegre (RS) fechou o mesmo mês com índice de 1,92%. Entre as duas cidades-- além dos 3.854 quilômetros que as separam-- há uma diferença de 2,23 pontos percentuais na inflação. Só esta disparidade é maior do que a inflação apurada em Salvador (BA): 1,79%. A diferença de inflações é explicada pelo peso de cada produto no índice, pelo local de coleta de preços e pela metodologia de cada instituto. Um exemplo é a farinha de mandioca que, no IPC-r (Índice de Preços ao Consumidor em real) do IBGE, tem peso de 0,13% no Rio de Janeiro (RJ) e de 2,98% em Belém. O aluguel é outro exemplo de como certos itens têm importância maior ou menor conforme a cidade brasileira. Uma alta de 10% na mensalidade escolar acarreta aumento de 1,06% na inflação de São Paulo (SP) e de 0,30% em Belém. As peculiaridades dos índices também estão expressas no vestuário, que impacta mais o custo de vida dos gaúchos e curitibanos (PR), no inverno. Nestas duas cidades, o peso no vestuário é de 14%. Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro, e não o Nordeste como se pensa, têm os menores pesos para o vestuário-- 10% na escala do IBGE. O Rio de Janeiro é o único estado brasileiro a sentir no bolso os aumentos no preço do feijão preto. Com peso de 1,3% para os cariocas, o feijão preto só aparece nas cidades de Porto Alegre e Curitiba com pesos mínimos. O açúcar cristal, praticamente desconhecido da região Sudeste, influencia as inflações do Nordeste, com pesos de 1,4% (Recife-PE), 1,07% (Salvador) e 1,0% (Fortaleza-CE). O produtos não aparece em São Paulo e Rio e tem peso de 0,4% em Belo Horizonte. Em São Paulo, a inflação se caracteriza por maior peso em itens típicos de uma região metropolitana, como alimentação fora de casa (2,56%), pizza (0,4%) e frango assado (0,18%) comprado em padaria. O macarrão tem participação de 0,36% no índice paulista (FSP).