FHC RECUA E DESISTE DE SUPER-REUNIÃO

O governo recuou da idéia de promover um grande encontro entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e todos os parlamentares dos partidos que lhe dão apoio no Congresso Nacional. O encontro estava previsto para o próximo dia 26. Em vez disso, os deputados e senadores de cada partido vão se reunir em separado com os ministros mais diretamente envolvidos com as propostas de reforma da Constituição. Para não decepcionar e evitar críticas dos parlamentares, o presidente se dispôs a recebê-los depois das reuniões, no Palácio da Alvorada, para um encontro mais rápido e mais informal. Reunido ontem no Palácio do Planalto, o Conselho Político do governo concluiu que o encontro inicialmente previsto, com mais de 300 parlamentares, não traria os resultados políticos esperados. Após a reunião com cada partido, FHC vai realizar reuniões por temas, com a participação de parlamentares de todos os partidos que integram a base governista. Os temas definidos na reunião de ontem foram as reformas previdenciária e tributária e a Ordem Econômica, onde está incluída a questão dos monopólios. A determinação do governo de FHC de não negociar no varejo com deputados e senadores e só se relacionar institucionalmente com os partidos, através do Conselho Político, não resistiu a uma semana de tensão entre o Executivo e o Legislativo. Na segunda reunião do Conselho Político, ontem, ficou praticamente acertado que a secretaria executiva do Conselho será um canal direto para atender a parlamentares e, inclusive, prefeitos. O porta-voz do Conselho também mudou: em vez do presidente do PSDB, Pimenta da Veiga, passou a ser o próprio vice-presidente da República, Marco Maciel (PFL). A mudança foi uma maneira de deixar claro que tudo o que for decidido nas reuniões expressará a posição do governo, e não de um partido político. Ampliado, o Conselho Político passou a contar com a participação dos presidentes do PTB, do PP e do PL (FSP) (O Globo).