O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, quer promover em sua administração a mais ampla reforma no ensino de primeiro e segundo graus já registrada no país. Em uma semana à frente do ministério, ele descobriu que não há falta de verba para a educação. "Os recursos que existem são mal aplicados; há muito desperdício". Segundo o ministro, 50% da verba destinada à educação não chega às salas de aula. Precisamos rever isso, avisou. Para realizar a prometida reforma no ensino do primeiro grau, Paulo Renato pretende tomar cinco medidas: definir um padrão curricular mínimo; melhorar a qualidade do livro didático, incorporando em todos eles esse padrão mínimo definido pelo Ministério da Educação; formar e retreinar os professores; avaliar permanentemente alunos, escolas e professores; e promover um amplo diálogo com a sociedade sobre os resultados dos trabalhos desenvolvidos. Para o segundo grau, ele defende apenas dois tipos de cursos: um, profissionalizante, e outro, de preparação para o vestibular. O ministro da Educação admitiu que a situação de ensino no país é de difícil reversão. De um lado, na sua opinião, estão profissionais malformados e malpagos. Com isso, prosseguiu, as escolas públicas não conseguem atrair os melhores professores, formando um círculo vicioso na educação. "Precisamos romper esse círculo e para isso não há uma medida para reverter toda a situação", disse, salientando que será necessário um conjunto de medidas, começando pela necessidade de se fazer chegar o dinheiro à sala de aula (O ESP).