O presidente Fernando Henrique Cardoso definiu ontem, durante reunião ministerial, um ajuste nos rumos do programa de estabilização da economia. Ao invés das altas taxas de juros, da contenção do crédito e de dinheiro dos bancos-- receita que vem mantendo a inflação baixa-- o governo quer um ajuste fiscal "consistente" e medidas que garantam a retomada do crescimento. A diretriz já conta com o aval de toda a equipe de governo. Fernando Henrique obteve o consenso no primeiro escalão do governo em torno de um compromisso que havia assumido, de conciliar a estabilização da economia com a retomada do desenvolvimento. Embora não tenha fixado uma meta de crescimento da economia para seu primeiro ano de mandato, o presidente quer de volta as "taxas históricas" registradas no país, entre 5% e 7% de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano. Além de um ajuste fiscal consistente, ficou acertado na reunião do Conselho de Governo (nome dado ao grupo formado pelos 22 ministros de Estado) o compromisso de reduzir o custo de produção de bens e serviços. Também é consenso na equipe que os encargos sociais que incidem sobre as folhas de salários das empresas desestimulam o emprego. A carga de impostos sobre a produção será atacada. Ao fim de uma maratona de dois dias de reunião com o seu ministério, o presidente Fernando Henrique determinou um rigoroso equilíbrio do Orçamento. "A regra é não gastar mais do que é arrecadado", disse o embaixador Sérgio Amaral, porta-voz do governo, repetindo as palavras de Cardoso. "Existe uma convergência de interesses entre a área econômica e os ministros que querem ter maior segurança sobre o fluxo de recursos que vão receber", disse Amaral (O ESP) (JB).