Ao afirmar, em uma de suas primeiras declarações como presidente empossado, que o Brasil não toleraria um golpe de Estado no Paraguai, Fernando Henrique Cardoso não fez apenas um gesto simpático de apoio na direção de um de seus convidados para a posse, o presidente paraguaio Juan Carlos Wasmosy. As palavras de Cardoso, na verdade, mais do que simples rotina de troca de elogios, são para muitos a única coisa que pode proteger a recente democracia paraguaia da volta dos militares ao poder. O Brasil, e o MERCOSUL, têm, além do desafio econômico, o desafio político imprevisto de fazer com que o primeiro presidente eleito da história do Paraguai não seja deposto ou assassinado. O fantasma do golpe é uma companhia constante do presidente paraguaio. O que sobrou da ditadura stroessneriana que durou de 1954 a 1989, e de mais três anos de governo do general Andrés Rodríguez, é uma grande disputa pelo poder entre facções militares nas costas de Wasmosy. O peso da união regional é o que pode fazer medo ao fantasma. "Os países do MERCOSUL têm um papel fundamental para a democracia paraguaia", explicou a jornalista paraguaia Raquel Rojas, que atualmente escreve um livro sobre a situação política de seu país. "As sociedades abertas, os projetos culturais comuns, o sistema econômico, é isto que vai segurar nossa democracia", disse. E Cardoso, como presidente do maior país do MERCOSUL, é uma figura decisiva: "Ele tem uma grande percepção da relação entre democracia e Estado. Seu apoio às raízes civis é muito importante", completou Raquel (JB).