BRASIL PEDE A COLABORAÇÃO DO FMI

O governo brasileiro quer que o Fundo Monetário Internacional (FMI) ajude o país a mostrar à comunidade financeira internacional que aqui as coisas não vão seguir o mesmo caminho que levou o México a uma crise cambial. Para isso, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Pullen Parente, até o ano passado consultor do FMI, esteve no último dia três com o chefe da Divisão do Atlântico Sul do FMI, José Fajgenbaum, discutindo formas de "cooperação mais estreita" entre o Fundo o e governo, ainda que isso não signifique a formalização de algum tipo de acordo com a instituição multilateral. Foram discutidas as situações das políticas fiscal, cambial e monetária e ressaltadas as diferenças entre o Brasil e o México, para que o FMI possa passar aos investidores estrangeiros uma visão balizada das distâncias que separam as contas daqui e das dalque país, mergulhado numa crise e com forte fuga de capitais. Para ter o Fundo como um canal balizado de comunicação com o mundo financeiro, o governo está sugerindo que as missões técnicas sejam mais frequ"entes do que a visita anual prevista no estatuto do FMI e que sejam firmados acordos de assistência técnica da instituição com o país. Sabe-se que o Fundo tem larga experiência em políticas cambial e monetária em períodos de estabilização, além, é óbvio, da questão fiscal. Os acordos poderiam ser nessas áreas. Se há uma diferença que o governo brasileiro mostrou ao FMI em relação ao México, ela está fortemente centrada nas contas externas. No México o déficit em conta corrente é de aproximadamente US$30 bilhões, ou 10% do PIB, e os investimentos em bolsas de valores somavam cerca de US$75 bilhões, para reservas cambiais de apenas US$7 bilhões. No Brasil, hoje ainda há equilíbrio. Na conta corrente do balanço de pagamentos o déficit estimado para este ano é de até 2% do PIB (perto de US$10 bilhões). Os investimentos em bolsas são de US$15 bilhões, para reservas de mais de US$40 bilhões (GM).