A história do movimento comunitário carioca nos anos 90 registra um curioso caso de desaparecimento. Atuantes, bem articuladas e poderosas politicamente até o final da década de 80, as associações de moradores do Rio de Janeiro passam atualmente por uma fase de ostracismo. Entidades como a Federação das Associações de Moradores do Rio de Janeiro (Famerj) e a Federação de Favelas (Faferj) perderam espaço para movimentos de caráter mais amplo, como o Viva Rio, e já não conseguem representar as mais de 1.200 associações de bairro que existem na cidade. Mas este vácuo já conseguiu, pelo menos, espantar a monotonia do movimento comunitário. Preocupados com o isolamento, 19 associações de moradores da Zona Sul anunciarão em março a criação de uma nova entidade, ainda sem nome, que promoverá a união em torno de reivindicações comuns, como a ampliação do projeto de Policiamento Comunitário e a defesa do meio ambiente. Em determinado momento, as associações de moradores ficaram prisioneiras
84357 das facções religiosas e dos traficantes. Com isso, houve uma atitude
84357 permissiva dos pentecostais para com os traficantes, que apoiaram seus
84357 representantes nas disputas pela liderança das associações, diz a antropóloga Alba Zaluar (JB).