Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre violência contra as mulheres, divulgado ontem em Genebra (Suíça), afirma que as agressões infligidas às mulheres, principalmente as sexuais, são favorecidas pela indiferença dos governantes sobre o problema. O informe, redigido por uma jurista do Sri Lanka, Radhika Coomaraswamy, denunciou "a tolerância dos governantes em relação aos autores de violências contra as mulheres, em particular as do tipo doméstico, conjugal". O relatório cataloga as diversas formas de violências cometidas pelos homens: estupros, prostituição, mutilações sexuais, assédio sexual, espancamentos e outras. "A gravidade desses crimes é raramente reconhecida pelas autoridades. Apesar de haver leis para reprimir a violência contra as mulheres, esses abusos dificilmente são punidos, porque a polícia procura sempre minimizá-los", disse a jurista. Ela recomenda aos países que sigam os textos da ONU a esse respeito, "ao invés de invocar os costumes, a tradição ou a religião, fugindo de suas obrigações para eliminar tais violências" (JC).