AS PROMESSAS DOS NOVOS MINISTROS

O ministro das Comunicações, Sérgio Motta, quer promover um pacto ético envolvendo o Estado e a iniciativa privada para recuperar e modernizar o setor. A intenção, manifestada ontem durante seu discurso de posse, é investir anualmente US$3 bilhões no setor, o dobro do volume atual de recursos. A arma será o incentivo à competitividade: ele vai começar a unir forças para derrubar da Constituição os limites impostos a parcerias entre empresas públicas e privadas. Quanto à renovação das concessões, Motta anunciou: "Não vamos mexer nas antigas concessões, mas as novas serão concedidas sob novos critérios". Ele confirmou que as novas regras serão traçadas de comum acordo entre empresas do governo, sindicatos e Congresso Nacional. O ministro da Agricultura, José Eduardo de Andrade Vieira, disse que o governo deverá rever a política de preços mínimos para os produtos agrícolas, que, segundo ele, beneficia os grandes produtores e deixa sem proteção os de pequeno porte. Andrade Vieira colocou a reforma agrária em segundo plano ao discursar na transmissão de cargo. Segundo ele, uma política de emprego e aumento dos salários no campo "é uma opção" ao programa de reforma agrária. Ele entende que estas medidas equacionam problemas de assentamento de terra no campo. "Não podemos mais conviver com assentamentos e invasões", disse. O programa do governo FHC prevê o assentamento de 100 mil famílias em quatro anos. O ministro evitou responder qual seria sua meta e disse que a reforma agrária é prioridade do governo. O ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito, defendeu a urgente mobilização das estatais na busca de parcerias com capital privado, sem restrições a setores. Para ele, os interesses corporativistas que impedem estas iniciativas tem de ser controlados. O ministro dos Transportes, Odacir Klein, tomou posse compometendo-se a acabar com o superfaturamento em obras rodoviárias. Ele admitiu buscar empréstimos no exterior e defendeu a volta do pedágio e a reestruturação da Rede Ferroviária Federal. A ministra da Indústria, Comércio e Turismo, Dorothea Werneck, citou, como prioridade, a retomada das câmaras setoriais, onde governo, empresários e trabalhadores discutirão a formulação de uma nova política industrial. O novo chefe da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), o embaixador Ronaldo Sardenberg, recebeu o cargo com a primeira missão definida: criar e estruturar a Agência Brasileira de Inteligência, que enterrará definitivamente o antigo SNI (Serviço Nacional de Informações). Por determinação do presidente Fernando Henrique Cardoso, a SAE terá de fazer uma avaliação minuciosa e sutil da situação nacional e do quadro internacional, para orientar o governo. O secretário disse que vai aprofundar o programa nuclear (O Globo) (FSP) (JB).