FERNANDO HENRIQUE CARDOSO TOMA POSSE HOJE

O sociólogo Fernando Henrique Cardoso, de 63 anos, toma posse hoje no Congresso Nacional como o 38o. presidente do Brasil. Eleito em três de outubro com 34,3 milhões de votos, 54,28% dos válidos, FHC sucede a Itamar Augusto Cautiero Franco, também de 63 anos, de quem foi ministro das Relações Exteriores e da Fazenda. O Datafolha revela que 79% das 14.151 pessoas entrevistadas em 403 cidades apóiam o real, moeda lançada pela equipe de FHC. Para 70% dos entrevistados, seu governo será ótimo ou bom. Em 1990, 71% tinham a mesma expectativa em relação a Fernando Collor de Mello. O programa de FHC definiu como prioridades a manutenção do real e as reformas na Constituição. O presidente Fernando Henrique Cardoso assume o governo da nação mais otimista do mundo. Uma pesquisa realizada em 45 países pela Associação Internacional Gallup, com sede na Suíça, mostrou que os brasileiros são os mais otimistas do mundo em relação a 1995 (68%), seguidos pelos norte- irlandeses (67%), onde os acordos de paz entre o governo e a guerrilha católica do IRA encerraram 25 anos de violência. Entre os motivos citados pelos brasileiros para tanto otimismo está a posse de FHC. Segundo a pesquisa, apenas 10% dos brasileiros se declararam pessimistas, contra 7% de norte-irlandeses. O otimismo também supera os 60% em Israel, na África do Sul, Austrália e Nova Zelândia. O presidente eleito costuma dizer que o Brasil deixou de ser uma país subdesenvolvido, para tornar-se um país injusto. Há muito tempo se sabe que coexistem dois países dentro do Brasil: um, rico, que oferece serviços razoavelmente bons, e outro, pobre, reservado para cerca de 30 milhões de brasileiros alijados da condição de cidadãos. Os 20% brasileiros mais ricos ganham 32 vezes mais que os 20% mais pobres, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano, publicação anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Nesse relatório, o Brasil está em 63o. lugar entre 173 nações do planeta, um resultado que envergonha os 20% mais ricos e ofusca a tragédia dos 20% mais pobres. Isso sem falar nas conhecidas disparidades regionais: um nordestino tem uma renda 40% inferior à de um paulista ou um gaúcho. O desafio do novo governo, mais do que diagnosticar os problemas, consiste em arrumar uma nova forma de enfrentá-los. Com a inflação em baixa, ficou viável pensar em redistribuir renda. Falta fazer todo o resto. O salário-mínimo, de cerca de US$80, encontra paralelo em países paupérrimos da América Latina, como a Bolívia (US$45) e o Peru (US$40). Também não se acaba com as disparidades regionais com clientelismo, como é costume no país. Na área da educação, o Brasil ainda carrega o peso de 40 milhões de analfabetos, cerca de 20% da população brasileira (na Argentina, são apenas 5% da população) (FSP) (JB).