ITAMAR DIZ QUE "INICIAMOS OUTRO TEMPO"

O presidente Itamar Franco mostrou otimismo ao encerrar as atividades de seu governo com uma reunião ministerial realizada ontem de manhã. "Estou certo de que iniciamos, nestes meses fortes, outro tempo nacional. Não há mais como recuar do nosso destino de justiça e grandeza", disse Itamar em pronunciamento à nação, em cadeia facultativa de rádio e TV, que durou oito minutos. Participaram da reunião 27 ministros de um total de 59 que Itamar nomeou em 820 dias de governo. No discurso, ele citou o "troca- troca" em sua equipe. "Ao longo do mandato, alguns ministros deixaram os seus cargos. Mas sei que procuraram servir ao país com o melhor de sua inteligência, contribuindo para os resultados que obtivemos nestes dois anos de governo. A todos manifesto o meu agradecimento", disse. Itamar fez um apelo à nação para que dê "todo apoio ao meu sucessor" e elogiou Fernando Henrique Cardoso. Chamou-o de "um dos homens mais eminentes de nosso tempo" e "um dos grandes responsáveis pelos resultados que obtivemos". Ele disse ter "profunda fé no destino de nosso país" e considerou o Brasil "a mais evoluída das civilizações tropicais". O ministro da Fazenda, Ciro Gomes, citou vários indicadores econômicos favoráveis durante a reunião-- como um crescimento de 10% do PIB nos últimos dois anos, recordes de safra agrícola e na arrecadação da União, além da inflação em queda. O presidente eleito, Fernando Henrique Cardoso, herda, porém, dos últimos governos uma pesada dívida social. Nas áreas de habitação, saneamento básico e abastecimento de água, são necessários R$50 bilhões para suprir as carências. A imagem desta dívida está estampada a 1,1 km do Palácio do Planalto, onde cerca de 50 famílias moram em casas de lata e papelão e sobrevivem dos restos de um "lixão" a céu aberto. O déficit habitacional herdado por FHC é de 12 milhões de moradias e aumenta a cada dia. Era de seis milhões em julho de 1993. Serão necessários R$30 bilhões para dar casa a todas estas famílias. O Orçamento da União para 1995 destinou R$368,7 milhões para o programa habitacional. Neste ritmo, seriam necessários 81 anos para eliminar o atual déficit de moradias, desde que não surgissem mais um único "sem-teto" (FSP).