A miséria cresceu de forma assustadora durante a última década na América Latina e hoje atinge cerca de 100 milhões de pessoas na região, podendo se transformar em ameaça à estabilidade política. Segundo o diretor do projeto regional das Nações Unidas para a modernização do Estado e gerenciamento social, Bernardo Kliksberg, a pobreza crônica atingiu níveis alarmantes em uma área que poderia evitá-la. Como exemplo, ele citou o Nordeste brasileiro, "onde 33 milhões de pessoas sobrevivem com fome, em níveis dos países africanos, mas em uma nação que é a oitava potência econômica do mundo". Houve um crescimento muito claro de famílias que vivem na linha de
84285 pobreza. No início dos anos 80, elas representavam 40% da população, e
84285 hoje elas são mais de 50%, das quais 40%-- cerca de 100 milhões de
84285 pessoas-- sofrem de pobreza crítica, declarou Kliksberg. Segundo ele, o aumento da pobreza atinge de forma discriminatória mulheres e crianças: na América Latina, três mil crianças morrem por dia por razões ligadas à pobreza, e 35% dos estudantes e 30% das mulheres grávidas sofrem de anemia. Dentre as graves consequ"ências deste quadro, Kliksberg mencionou a exclusão social, "que levou setores importantes da população a ficar fora do sistema educacional, de saúde e de mercado de trabalho", tornando-se um risco para a estabilidade política (JB).