SOCIEDADE CIVIL CONTESTA O STF

O Movimento Pela Ética na Política se reúne hoje, na UFRJ, para constituir o Movimento Pela Ética na Justiça, em protesto contra a decisão do STF de absolver o ex-presidente Fernando Collor. Representantes das 900 entidades que integram o movimento estarão presentes ao encontro, convocado pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. A ABI, UNE, OAB, PNBE e a CUT são algumas das entidades que já confirmaram presença. Em nota oficial sobre o julgamento do ex-presidente, o cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, afirma que a absolvição do ex- presidente e do empresário Paulo César Farias confunde o povo, porque "o poder despreza o bem comum, usando dois pesos e duas medidas, no caso do senador Lucena e no escândalo da administração Collor". "Urge que os novos representantes eleitos pelo povo devolvam dignidade e honestidade ao povo brasileiro, como nova ordem política, nova ordem econômica, nova ordem jurídica e nova ordem social", adverte o cardeal. O relator do processo que absolveu o ex-presidente, ministro Ilmar Galvão, defendeu ontem a decisão do STF. Segundo ele, Collor teve um julgamento isento. "Querem o quê, que o Supremo condene sem provas?", indagou. Para o relator, um juiz preocupado com a reação popular não poderia vestir a toga, porque não teria condições de fazer um julgamento imparcial. Ele disse que leu as declarações do sociólogo Herbert de Souza, sobre a criação de "um movimento de ética no Judiciário", mas que não as levou a sério. "Apesar de estarmos todos com Betinho, ele não tem condições de julgar uma decisão do STF", afirmou (JC) (FSP) (JB).