O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, articulador nacional da Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, disse ontem ser necessário redobrar esforços para que a campanha Natal sem Fome não seja eclipsada pelo esforço publicitário de fim-de-ano dos supermercados, shoppings e cadeias de lojas. A seu ver, em São Paulo esse perigo é menor porque o jornal "Folha de S.Paulo", além de participar da campanha, conta também com o apoio de outras empresas que dão publicidade exclusiva à necessidade de se coletar alimentos a serem distribuídos. No Rio de Janeiro, no entanto, Betinho disse que as doações têm chegado de forma mais lenta. O objetivo da campanha, no Rio, é o de arrecadar mantimentos para a distribuição de 50 mil cestas no Natal. Ele diz que, no entanto, esse volume não poderá ser comparado com o do ano passado, quando a arrecadação e a distribuição foram descentralizadas e dificultaram uma quantificação. Desta vez, como a coleta no Rio vem sendo feita por meio de supermercados, que por sua vez encaminham as doações a uma central, será mais fácil garantir a tonelagem a ser distribuída. Betinho afirma que, em termos nacionais, a campanha ganhou este ano novo fôlego diante da participação dos jornais que fizeram a as sacolas chegarem encartadas a um número maior de doadores. Participam da operação jornais de Porto Alegre (RS), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Em São Paulo, a "Folha" deflagra hoje a campanha Natal sem Fome. Serão encartadas 440 mil sacolas na edição de hoje. A expectativa é de que no mínimo 500 toneladas de mantimentos serão obtidas através de doações. O dinheiro obtido com a venda em banca da edição de hoje, na Grande São Paulo, será usado para a compra de cerca de 15 toneladas de feijão, a serem distribuídas para famílias carentes (FSP).