BRASIL É CRITICADO EM MIAMI

O governo do Brasil se viu ontem, em plena Cúpula das Américas, que se realiza em Miami (EUA), sob uma onda de críticas de organismos humanitários, por suposta passividade ante a pobreza e a situação dos direitos humanos, embora recebesse manifestações de apoio de representantes de países. Único país que participa da reunião com dois presidentes-- Itamar Franco, em fim de mandato, e o eleito Fernando Henrique Cardoso--, o Brasil parece não haver-se livrado, definitivamente, da fama de gigante cruel com os próprios filhos. O diretor-executivo da Americas Watch, José Miguel Vicanco, criticou as autoridades brasileiras por considerar que "dedicam-se apenas à elaboração de documentos sobre direitos humanos", sem respeitá-los na prática. "Não sei se é necessária uma nova declaração (sobre o respeito aos direitos humanos). O importante é que se ponha fim à impunidade, e nesse sentido temos um problema no Brasil", disse Vivanco. Ele afirmou que "muitas provas mostram que policiais e militares integram esquadrões da morte que assassinam crianças, e o governo do Brasil tem a responsabilidade de castigar essa gente". O porta-voz da Anistia Internacional, Carlos Salinas, sustentou que a instituição "gostaria que o Brasil falasse menos e fizesse mais". Apontou que "o grave é as autoridades não castigarem todos os funcionários que cometem atropelos" (JC).