Com base em documentos da polícia e da Procuradoria de Justiça, pesquisadores do Iser (Instituto de Estudos Religiosos) concluíram que ficaram impunes pelo menos 92,2% dos homicídios cometidos em 1992 na cidade do Rio de Janeiro (RJ). O Iser analisou 500 dos 3.450 inquéritos relativos a homicídios instaurados em delegacias cariocas. Dos 500, apenas 7,8% foram levados à Justiça. De acordo com a análise feita pelos promotores, os demais casos não apresentavam elementos suficientes para a formalização de denúncia e criação de processo. A pesquisa, fruto de um convênio com o governo do estado, foi feita apenas com casos de homicídios dolosos-- quando a morte é produzida intencionalmente. Segundo o coordenador de estudos de violência do Iser, o antropólogo e cientista político Luiz Eduardo Soares, nos EUA, o índice de inquéritos que chegam à Justiça é de 85%. Para ele, os números do Rio provam a falência da Polícia Civil, encarregada de investigar os crimes. Soares ressaltou que a impunidade é ainda maior, já que muitos dos acusados pelos crimes que chegaram à Justiça não chegaram a ser condenados (FSP).