RETÓRICA PREJUDICA CONVÊNIO ECOLÓGICO

Uma oportunidade histórica perdida. Foi assim que as Organizações Não- Governamentais (ONGs) ecológicas definiram a primeira conferência dos países signatários da Convenção da Biodiversidade-- elaborada durante a Rio-92--, em um documento divulgado por ocasião de seu encerramento ontem, em Nassau. Os 60 ministros do meio ambiente presentes à Conferência continuaram a exaltar a importância de preservar a biodiversidade do planeta, ainda que as comissões técnicas e o plenário não tenham apresentado projetos concretos nos 11 dias do encontro. Sobre a biodiversidade das florestas tropicais, o Fundo Mundial para a Natureza, presente à reunião, afirmou que a Conferência "transferiu a responsabilidade para outros" e tem enfatizado apenas algo o que já se sabe: "a importância da biodiversidade no ecossistema das florestas". Os discursos mais críticos foram os dos representantes dos países em desenvolvimento. O ministro de Florestas e Meio Ambiente da Índia, Kamal Nath, revelou que o valor de mercado de remédios produzidos a partir de plantas das florestas de seu país alcança US$43 milhões e as populações nativas só recebem de volta 0,01% em royalties. Um documento elaborado pela Rede Internacional de Biodiversidade dos Povos Indígenas, uma das mais de 100 ONGs que participaram como observadoras, qualifica este fato como pirataria biológica (JB).