O Brasil é o país que mais viola os direitos humanos na América Latina, segundo a Human Rights Watch Americas, uma das mais importantes organizações não-governamentais do mundo. Seu relatório anual, divulgado ontem simultaneamente em Nova Iorque e no Rio de Janeiro, traz pela primeira vez um capítulo sobre o Brasil denunciando o aumento do número de extermínio de menores, de índios e de trabalhadores rurais e a exploração do trabalho forçado e da prostituição. O documento demonstra esperança no presidente eleito Fernando Henrique Cardoso (PSDB), mas critica a lentidão da Justiça e a omissão das autoridades na apuração das denúncias. Também lembra a impunidade em relação aos responsáveis pela violação dos direitos humanos. O relatório da entidade revela uma redução da violência em São Paulo, de acordo com dados oficiais. Enquanto a Polícia Militar matou 1.470 civis em 1992, o número caiu para 409 em 1993, após protestos contra o massacre de 111 presos da Casa de Detenção durante rebelião em outubro daquele ano. Em contrapartida, o número de menores mortos nos seis primeiros meses de 1994 em Pernambuco aumentou 94% em comparação com o mesmo período de 1993. O Rio de Janeiro exibiu um aumento similar: 318 menores foram vítimas de homicídio entre janeiro e junho, enquanto em 1993 foram 298. A entidade designou o advogado norte-americano James Cavallaro para instalar um escritório no Rio de Janeiro e investigar denúncias. Um dos alvos é a Operação Rio. Com a instalação de um escritório no Brasil, o primeiro na América Latina desde que a filial de El Salvador foi fechada, a organização vai iniciar seu trabalho pela apuração das denúncias de torturas que teriam sido praticadas pelas Forças Armadas no Morro do Borel (O ESP).