PROCURADOR PREPARA NOVA DENÚNCIA CONTRA COLLOR NO STF

O procurador-geral da República, Aristides Junqueira, já prepara novas ações contra o ex-presidente Fernando Collor de Mello no Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-presidente, que está sendo julgado por corrupção passiva, poderá ser denunciado novamente, desta vez por peculato e sonegação fiscal. Junqueira recebeu semana passada representação da Receita Federal contra Collor, Cláudio Vieira e o doleiro Najun Turner relacionada à chamada Operação Uruguai. O procurador pretende analisá-la assim que acabar o julgamento. Documento obtido por Junqueira indica que, três meses após assumir a Presidência, Collor determinou o destacamento de um esquema de segurança para a casa de PC. Isso é peculato. Trata-se de gasto público a serviço de particular. É desvio de dinheiro público", acusa. Essa nova arma do Ministério Público contra Collor já está no processo sobre o Esquema PC. Datado de 22 de junho de 1990 e assinado pelo major Marco Antônio de Farias, então chefe da Divisão de Proteção de Instalações do Serviço de Segurança do Gabinete Militar, o memorando reservado 001/90 ressalta o caráter excepcional da solicitação. O documento destaca ser uma ordem de Collor para a proteção da "autoridade" PC Farias. Outro documento merecerá atenção especial do procurador. Embora Collor tenha sempre negado contados com PC depois que assumiu a Presidência, está provado que, em duas ocasiões pelo menos, ele esteve na casa do ex-tesoureiro, de helicóptero. O procurador-geral da República admitiu ontem, porém, que a condenação de Collor dependerá da interpretação que os ministros do STF farão do crime de corrupção passiva. "A dificuldade será julgar se é preciso um ato de ofício (documento de Collor beneficiando empresas que deram dinheiro ao Esquema PC) para caracterizar o crime", explicou (O Globo) (JB).