Lídres sindicalistas e outros representantes de organizações sociais da América Latina e do Caribe não esperam que a Cúpula das Américas leve a mudanças significativas na região porque não abordará o problema da dívida externa, e defendem mudança no modelo econômico neoliberal. "Um tema que não será tratado (na Cúpula de Miami) é o da dívida externa da região, que está consumindo 25% dos orçamentos nacionais de todos os países", segundo Luis Enrique Marius, secretário-geral adjunto da Central Latino-Americana de Trabalhadores (CLAT). Ele informou que, devido ao ônus da dívida, cada trabalhador produtivo deve atualmente US$1.800 aos organismos internacionais, fator que condiciona todo o desenvolvimento da região. Segundo Marius, é indispensável modificar o modelo neoliberal aplicado na região por outro que cuide mais do humano e do social. Por sua vez, o monsenhor Miguel Irizar, secretário-geral dos bispos do Peru, indicou que, embora a Igreja não tenha sido convidada a participar da Cúpula das Américas, não acredita que produza resultados de compromisso no aspecto social. "Até o momento, está ocorrendo um processo de integração no campo econômico e social, mas não existe a preocupação pelo homem, a pobreza, a realidade latino-americana e o social, temas que não podem ser separados de nenhum plano de crescimento", disse (GM).