Os EUA estão pressionando os países latino-americanos a não ratificar a Convenção sobre Biodiversidade, assinada por vários países na Rio-92, para estabelecer acordos bilaterais em defesa de seus interesses na área de patentes em produtos obtidos por engenharia genética. A denúncia foi feita por aproximadamente uma centena de organizações não-governamentais ecológicas que participam da primeira reunião dos países signatários da Convenção, que se realiza em Nassau (Bahamas). Em comunicado divulgado ontem, as ONGs afirmaram "que a administração (do presidente Bill) Clinton pretende estabelecer negociações sobre biodiversidade paralelas à Convenção da Biodiversidade, buscando aval de países latino-americanos, que serão inscritas em acordos comerciais com o GATT e o Tratado de Livre Comércio. Desta forma, facilita-se a obtenção de patentes de organismos vivos e se garante o acesso barato da indústria de biotecnologia aos recursos genéticos da América Latina. Os EUA querem com estes acordos paralelos conseguir apoio para suas patentes e para a biopirataria e buscam bloquear o protocolo sobre biossegurança". O interesse dos EUA, segundo os ecologistas, é continuar "a colher plantas das selvas e florestas dos países em desenvolvimento, modificá-las geneticamente ou produzir remédios para depois mandar a conta das patentes e dos direitos intelectuais de todo este patrimônio para os países produtores daquelas plantas" (JB).