O presidente eleito, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), um dos signatários do Pacto pela Infância, reafirmou ontem, em Brasília (DF), sua decisão de manter todas as ações em curso no atual governo, mas disse que não vai, como fez o presidente Itamar Franco, destinar a maior parte dos recursos ao programa de combate à fome. Sua intenção é investir em ações preventivas, em conjunto com a sociedade, dentro do programa Comunidade Solidária, a vedete da área social do futuro governo. Ao participar da reunião dos 500 dias do Pacto pela Infância, o presidente eleito, a convite do presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Luciano Mendes de Almeida, afirmou: "A sociedade é gelatinosa. O Estado o é em outro sentido, é poroso. Sua porosidade deriva dos vazios e dos buracos institucionais em que o Estado não atua. O presidente Itamar substituiu essa porosidade negativa. Vamos dar prosseguimento àquilo que foi talvez a obra mais marcante de seu governo. Temos que passar para uma ação de prevenção. Ter mecanismos que nos possibilitem antecipar os problemas e, com menos recursos, obter maiores efeitos". FHC disse ainda que "o futuro governo se inspirará no que fez o presidente Itamar. Temos encontrado dificuldades no entrosamento mais organizado entre Estado e sociedade civil. Mas estamos inovando. O Conselho de Segurança Alimentar (CONSEA) e o Pacto da Infância, do governo Itamar, são exemplos disso". Segundo o presidente eleito, os recursos públicos são poucos e, por isso, o governo precisará do engajamento da sociedade (O Globo).