JULGAMENTO DE COLLOR AVALIA JUNQUEIRA

O presidente da República impedido, Fernando Collor de Mello, o empresário Paulo César Farias (o PC) e sete de seus colaboradores, todos processados por crimes como corrupção e falsidade ideológica, não são os únicos que estarão de alguma forma sendo julgados a partir de hoje pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Com o julgamento de Collor e de PC, vai-se decidir indiretamente se o procurador-geral da República, Aristides Junqueira Alvarenga, 52 anos, foi ou não capaz de reunir provas suficientes para que os ministros do STF tirem a mesma conclusão a que chegaram a opinião pública e o Congresso Nacional ao derrubarem em 1992, política e moralmente, o primeiro presidente da República eleito diretamente depois de 20 anos de regime militar. "Eu tenho medo de ser eu o réu no julgamento", disse ontem o procurador. A partir de hoje, como acusador no plenário do STF, Junqueira tenta provar que Collor cometeu corrupção passiva ao receber e usar parte de recursos arrecadados por PC Farias junto a empresários interessados em ganhar dinheiro obtendo vantagens da administração pública. Com o impedimento de dois ministros, Francisco Rezek e Marco Aurélio, e sem que Maurício Corrêa tenha tomado posse, oito juízes participam da sessão do STF. Rezek não participa do julgamento porque foi ministro das Relações Exteriores do governo Collor. Marco Aurélio é primo do ex- presidente. O ex-presidente Collor recusou-se a fazer qualquer comentário "antes do fim do julgamento". Preso no Batalhão de Choque da Polícia Militar, em Brasília (DF), o ex-tesoureiro de Collor, PC Farias, espera "um julgamento jurídico" (GM) (JB) (FSP).